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a presença de byron

                                           

Falta alguém em Pernambuco, exatamente na Rua da Aurora, Edifício Caeté, na Rua do Riachuelo, Edifício Círculo Católico ou na casa da Iputinga, cidade do Recife, e por que não dizer ainda, nos restaurantes Dom Pedro, Moscouzinho, Cantina Star, Drive in Derby, Spettus, Pra vocês, Biruta, Ilha de kós, Zaff, entre tantos outros endereços da boêmia pernambucana, espécies de porto seguro. Ausente ainda no Engenho Caciculé, Nazaré da Mata, em Pirauá, Distrito de Macaparana e na cidade adotada Cabo de Santo Agostinho. São tantos os lugares onde a ausência física de Byron Sarinho pode ser sentida que certamente algum endereço, não menos importante, deixou de ser citado.

Inobstante a inexorabilidade do tempo ou a “dialética do não”, existe a concreta sensação de sua presença entre nós, sim, presença, pois quem desfrutou do seu convívio pessoal, sabe visualizar o seu sorriso ao passar pela Rua da Aurora e dirigir o olhar para aquele majestoso edifício às margens do Rio Capibaribe, o que dizer então do restaurante Dom Pedro, chega a ser quase necessário pedir licença ao se dirigir a sua mesa predileta, e assim o é em todos os outros lugares.

Porém, não é propriamente dessa presença, inquestionavelmente sentida por todos que me reporto, é sim de sua marca pessoal, impregnada nas entranhas daqueles que tiveram o prazer de compartilhar seus pensamentos, através de conversas inenarravelmente agradáveis, com uma verve cheia de fluência e conhecimento sobre todos os temas, especialmente política, música, humor, cidadania, ética e cultura. Hoje ao tratarmos desses assuntos é lugar comum a lembrança das suas opiniões, conceitos e visão de mundo, uma ínfima parte do seu enorme patrimônio intelectual.

São suficientes para nós nos sentimos plenos e realizados somente com essas lembranças e impressões tão fortes? NÃO! Como diria o poeta: “restam-nos hoje, no silêncio hostil, o mar universal e a saudade”, contudo, resta-nos ainda, o consolo de ter convivido com uma pessoa à frente do seu tempo, um homem político na sua acepção mais completa, formulador, democrata praticante, intérprete das necessidades coletivas, sem igual, com enorme capacidade de trabalho, somado a virtude de humanista radical, tão diferente dos homens da política, vistos por toda parte. 

No artigo: “Conversa ao Pé da Cova”, consta o registro que plantou árvore, escreveu livros e teve filhas, esqueceu, no entanto, de dizer que conquistou uma legião de amigos e se fizermos aquela pergunta, muito própria dos comunistas nos “anos duros”: - Byron Sarinho? A resposta, nesses corações, será uníssona: - Presente!       

(Adília G. Pessoa – amiga, companheira de ideais, lutas e sonhos) 

 

 

 

 

 
 

 

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